95 anos - A história por trás da busca pelo desenvolvimento
postado em 22/02/2019 as 09:58

A criação da Aciu surgiu a partir da crise instalada no país, provocada pela primeira Guerra Mundial, (1914/1918). Dificuldades econômicas foram combatidas pelos governos com rebaixamento de salários e sobrecargas de impostos. A reação patronal para defender o interesse dos empresários e enfrentar a inquietude operária organizada em sindicatos foi a de criar, em todo o Brasil, as associações.

 

Uberaba, centro de irradiação econômica e educacional para todo o Brasil Central, foi uma das primeiras cidades do interior a compreender a necessidade e o potencial de uma organização de classe. Em 16 de dezembro de 1923, em pleno domingo, nasce a Associação Comercial e Industrial de Uberaba (Aciu), em sala cedida pelo Jockey Club.

 

A assembleia, contando com a presença de 52 empresários e presidida por Adolpho Soares Pinheiro, elegeu sua primeira diretoria provisória composta por Cesário de Oliveira Roxo, Raul Terra, Jonas de Carvalho, Fernando Sabino e o próprio Adolpho.

 

No início de Janeiro esta mesma diretoria provisória tomou posse para o período de 1924/1927, contando com o reforço de Luiz Humberto Calcagno e José Guimarães, elegendo Cesário de Oliveira Roxo como primeiro presidente da Aciu.

Louvável o espírito de integração dos pioneiros na indicação de representantes das colônias portuguesa, italiana, síria, espanhola e alemã e dos distritos de Veríssimo, Conceição das Alagoas, Dores do Campo Formoso, Burity, Palestina e Cambará (Peirópolis).

 

A necessidade de construção de uma sede para Aciu era um sonho acalentado desde sua criação. Afinal, cada diretoria utilizava locais variados como empréstimo para a realização de suas reuniões.A primeira oportunidade neste sentido surgiu na diretoria de Paulo José Derenusson (1929/1932), que comprou um terreno na Rua Olegário Maciel para futura construção da sede.

 

Nesta gestão, a entidade incluiu em seus objetivos a defesa dos interesses da classe rural, mudando seu nome para Aciru – Associação Comercial, Industrial e Rural de Uberaba. Por essa razão, em 1934, participou da montagem da exposição agropecuária e, em setembro de 1935, criada a Sociedade Rural, a Aciu retornou ao seu nome original.

 

O presidente da Aciu, Antônio Joaquim Barbosa da Silva (1936/1937) vendeu o terreno da entidade por considerá-lo pequeno e comprou outro na Avenida Leopoldino de Oliveira. Coube ao presidente Fidélis Reis (1938/1947) aresponsabilidade pela edificação da sede, com projeto dos engenheiros Signoreli e Abel Reis. A construção começou com a empresa de Santos Guido em 1940.

 

No ano anterior, em 1939, Fidélis Reispropôs conceder título remido a cerca de 120 pessoas físicas e jurídicas que colaboraram com o projeto. Entre os contribuintes, além de bancos estatais, comerciantes e industriais, além de dezenas de grandes fazendeiros. A grande festa de inauguração da sede própria aconteceu em 26 de julho de 1942, lotada de empresários e autoridades, entre elas o prefeito Whady Nassif. Fidélis Reis disse em seu discurso que o investimento, inicialmente previsto para duzentos contos, se elevou para 700 com a ampliação do projeto inicial e com o objetivo de atender uma demanda prevista para todo o Triângulo.

 

O maior aporte de numerário veio através do financiamento do IAPC - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários. Durante esses 95 anos, 1923 a 2018, a Aciu foi palco de 42 eleições, 5 reeleições e conheceu 41 empresários que hoje estão na galeria de ex-presidentes. O que mais tempo permaneceu na presidência, 10 anos, foi Fidélis Reis, (1938/1947). Ele foi um dos mais destacados uberabenses:  jornalista, escritor, deputado federal, construtor de pavilhões para o SENAI, cofundador do Banco do Triângulo Mineiro e da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro.

 

Paulo José Derenusson, revendedor Ford com estabelecimento situado na rua Major Eustáquio (hoje estacionamento) foi o único presidente eleito em duas gestões, com intervalo de 15 anos – 1929/1932 e 1948/1949. Foi também o único a ter um filho eleito para a presidência – Léo Derenusson – (1964/1965).

 

Desde sua criação, somente em três ocasiões houve disputa em eleições na Aciu. A primeira ocorreu na eleição para o período de 1972/1973, em que configurava como candidato à presidência, Jorge Dib Neto, engenheiro civil, professor e coordenador do curso de Engenharia da FIUBE. Ele disputou com Edson Simonetti, representante do grupo Wella, ex-presidente da casa (1966/1967) ocorrida apenas por uma discordância de indicação de nomes. O pleito foi vencido por Jorge Dib Neto.

 

A segunda em 1995, em substituição ao presidente Eduardo Rodrigues da Cunha Colombo, engenheiro e empresário da ETEL (1994/1995). O candidato indicado pela diretoria foi Antônio Carlos Guillaumon, industrial da área de fertilizantes. A chapa oposicionista, liderada pelo admirado empresário José Renato, a quem foi oferecida  a condição de vice da chapa da situação, pelo que representava o prestígio de seu nome para a Entidade, somente teve oposição por não se enquadrar nos Estatutos.

 

Apesar da acirrada disputa em que o sagrou vencedor,  Antônio Guillaumon veio a falecer durante o seu mandato e foi substituído pelo seu vice, Sérgio Bóscolo, empresário do ramo de transportes e proprietário da Eletrotécnica, produtora de isolantes e para-raios de linha, para completar o período de 1996/1998.

 

A terceira ocorreu no ano de 1997 em que José Oscar de Castro Lacerda (Cacai), um dos maiores empresários de Uberaba (Skala Comésticos), se lançou candidato contra a chapa da diretoria da Aciu encabeçada por Samir Cecílio (1998/2001). Novamente a chapa oficial da diretoria foi a vencedora e, após essas tentativas, não mais aconteceram registros de chapas que não tivessem a chancela da entidade.

A Aciu é uma verdadeira fonte da juventude. Até agora, teve 42 novas diretorias e em cada uma delas há o renascer de um novo entusiasmo e a chama ardente de desejos para realizar. É difícil dizer quais as realizações nos campos político, social e econômico que influenciaram o desenvolvimento de Uberaba e que tiveram a participação da Aciu. É mais fácil relatar de quais ela não participou. A entidade nasceu sob o signo do protesto. Em cada presidente, em cada diretor, um soldado pronto para a luta. Em defesa da comunidade. Em defesa dos interesses regionais. Em defesa de seus associados.

 

Aliás, a primeira preocupação de qualquer nova diretoria sempre foi a satisfação de seu associados. Esse é o motivo da criação da entidade. É a razão de sua existência. Na defesa dele, estão as medidas tomadas contra a criação ou ampliação de impostos e taxas, em todas as áreas governamentais, tomada de posições contra redução de créditos bancários, disponibilidade de corpo jurídico, planos de saúde e de seguro variados e estancamento de quaisquer situações que possam prejudicá-los.

 

Na área cultural, além de diversas parcerias com a Academia de Letras do Triângulo Mineiro, biblioteca e hemeroteca foram criadas na gestão de Milton Duarte Vilela (1978/1979) para atender aos associados. Ao longo desses anos se inseriu também como porta-voz dos interesses da comunidade.

 

Entre as ações voltadas para o benefício coletivo, destacam-se a luta para implantação do SENAC e do SESC, a construção de sede dos Correios, inaugurada na gestão de João Fernandes Côrrea (1956/1957), a participação na fundação do IDT – Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (em parceria com a UNIUBE e a UFTM, no governo de José Mousinho Teixeira (1982/1983), a busca incessante em todo país por novas indústrias para criação de novos empregos, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Uma grande conquista foi a instalação do escritório regional da Junta Comercial do Estado, em Uberaba, na gestão de Milton Duarte Vilela (1978/1079).

 

Na área política, a participação efetiva de diversas diretorias nos movimentos para ampliação do Colégio Eleitoral. No setor de segurança, o trabalho da Aciu com a implantação do Corpo de Bombeiros e do novo quartel da Polícia Militar foram essenciais. Na área de saúde registram-se a instalação do Ambulatório Médico do IPAC, na gestão de Lívio da Costa Pereira (1957/1958) e a criação do SAM pertencente ao IPAC, na gestão de Durval Furtado Nunes (1953/1954).

 

Aciu também participou da criação da Guarda Mirim e do Serviço de Atendimento Social, na gestão de José Cury Peres (1974/19575). Um episódio de grande relevância e que é uma história à parte, diz respeito à energia elétrica. A implantação da CEMIG, ocorrida na gestão de Helmut Dornfeld, (1959/1960) pôs um ponto final nas agruras que se transformou o fornecimento de energia através da Usina Pai Joaquim.

 

Outra saga foi a história da televisão em Uberaba. Ela começou na gestão de Mário Grande Pousa (1961/1962), seguiu na diretoria de Aurélio Luiz da Costa (1963), período em que a torre de Buritizal foi construída, complementada na presidência de Léo Derenusson (1964/1965), para que finalmente o sinal pudesse ser recebido na gestão de Edson Simonetti (1966/1967). Uma nova era se abriu para o comércio, atraindo empresas de grande porte de outras regiões para reforçar nosso mercado.

 

Outra grande realização da Aciu em defesa das empresas foi a criação do SPC em 11 de julho de 1962, na gestão de Mário Grande Pousa (1961/1962). Foi o 25º Serviço de todo o Brasil. Na gestão de Flamarion Batista Leite foram iniciados os estudos para unificação do SPC da CDL e Aciu. Hoje as duas entidades trabalham em harmonia com o mesmo serviço em administração conjunta.

 

A implantação do Pace - Posto Avançado de Conciliação Extraprocessual da Aciu, em parceria com o TJMG, permitiu a solução de conflitos empresariais de forma rápida, menos onerosa e com força legal, além de ser mais justa, por ser construída entre as partes, desafogando o sistema judiciário e contribuindo para a paz social. A iniciativa já foi agraciada com o Prêmio Conde dos Arcos em quatro oportunidades.

 

O projeto emancipacionista foi abraçado pela Aciu em duas oportunidades. A primeira na gestão de Edson Simonetti (1966/67) e que resultou na criação da UDET - União para o Desenvolvimento do Triângulo, sob a liderança de Hugo Rodrigues da Cunha (1968/1969), Arnaldo Rosa Prata e Ronan Tito, de Uberlândia. Sob essa bandeira, se realizou em Araxá o célebre congresso em que cerca de 80 municípios da região se fizeram representar, oportunidade em que a reivindicação maior foi a da conclusão e do asfaltamento da BR-262.

 

A segunda ocorreu na gestão de Torres Homem Brandão. O movimento foi liderado por Ney Junqueira e teve a participação da Aciu. Essas ações, apesar de não terem logrado êxito nos seus objetivos, provocaram uma maior aproximação entre os municípios da região e foram suficientes para alertar o governo mineiro da insatisfação dos triangulinos, que passou a executar medidas para a integração do Triângulo com o poder central.

 

No setor de transportes, o que temos hoje a nível de aberturas de estradas e seu asfaltamento, ligando os municípios às mais diversas regiões do país, é resultado de longos anos de planejamento, simpósios rodoviários, ferroviários e aéreos, congressos intermunicipais e lutas, unindo as forças vivas das comunidades. Nesse contexto, se inserem a construção das rodovias BR-050 e BR-262 e as MG-427, MG-452e MG-798.

 

O mesmo pode-se dizer da retificação, construção de estações e novos trajetos ferroviários da Mogiana e Rede Mineira de Viação. A ampliação e o asfaltamento da pista do aeroporto, a abertura de novas linhas para atendimento de outras regiões e a construção da estação de passageiros, sempre foram lutas de todas as diretorias e que tiveram início desde sua fundação.

 

Na área da educação, a ideia da criação da Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro é creditada para Paulo Vicente de Souza Lima que, em companhia de uma equipe formada por Augusto Afonso Neto, Ronaldo Benedito Cunha Campos e Pedro Conti, levaram a sugestão para a diretoria da Aciu, na gestão de Léo Derenusson (1964/1965). Das atas foram extraídos os nomes daqueles que, cujo trabalho tornou possível essa grande conquista para a cidade e região – Léo Derenusson, Edson Simonetti, Mário Salvador, José Leal do Alemão, Gilberto Rezende, Angelo Marzola, César Vanucci e a participação eloquente de Ataliba Guaritá Neto.

 

A criação do curso de Administração teve sua aprovação em 1974, gestão de José Cury Peres (1974/1975). Já o curso de Ciências Contábeis foi autorizado em 21 de dezembro de 1984, na gestão de José Vitor Aragão (1984/1985). Na diretoria de Gilberto Rezende (2006/2007) foi adquirida de Dulce Andrade a Associação Educacional Odilon Fernandes, uma escola profissionalizante.

 

Na gestão de Karim Abud (2008/2011) a FCETM incorporou a CESUBE – Centro de Ensino Superior de Uberaba - nela incluído os cursos de Engenharia Civil, Educação Física e Licenciaturas em Biologia e Química. Foi nessa gestão que se iniciou a parceria com a Academia de Letras do Triângulo Mineiro, presidida por Terezinha Hueb, para sucessivas edições da Revista Saberes Acadêmicos e Convergência.

 

O desinteresse nacional pelo curso de Economia e a decisão de outras faculdades em criar cursos similares aos da FCETM reduziram gradativamente, a partir da década de 2010, o número de alunos matriculados. A ação fez com que a Aciu chegasse a conclusão de que sua missão na área educacional poderia ser encerrada.

 

Na gestão de Manoel Rodrigues Neto (2009/2012), com o apoio do Conselho Consultivo, a administração das escolas foi repassada para outra organização, encerrando a participação da Aciu no setor. Uma empreitada de coragem e determinação que durou mais de cinquenta anos e que lançou em diversos setores de nossa economia, milhares de profissionais bem qualificados e que se orgulham de sua origem educacional. De lembrança ficou o magnífico prédio que foi sede das faculdades, cuja obra foi iniciada na gestão de Samir Cecílio (1998/2001), ampliando assim o patrimônio da Aciu.

 

No setor industrial, preocupada com a falta de um programa de atrativos para implantação de novas indústrias e criação de estímulos para atrair grandes empresas para Uberaba, a Aciu aprovou o desenvolvimento de uma comissão de industrialização, sob a denominação de “Operação Indústria”. Foi um dos mais importantes capítulos de participação no desenvolvimento de Uberaba, que aconteceu na gestão de Jorge Dib Neto (1972/1973).

 

Com o patrocínio da Aciu, dessa comissão também nasceu a empresa de capital misto CODIUB – Companhia de Desenvolvimento Industrial de Uberaba e a CEVALE - Fundação Centro de Pesquisas Vale do Rio Grande. Esses projetos, aprovados pela comunidad, foram aprovados também pelo prefeito Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1976), que os incorporou em seu governo. A partir dessa data, estava incluída a Secretaria de Indústria e Comércio em toda a plataforma política de Uberaba. A primeira secretaria foi criada no governo de Wagner do Nascimento (1983/1988) e seu primeiro titular foi Anderson Adauto.

 

Esse espírito de união entre as diversas entidades sempre foram uma das alavancas de desenvolvimento de Uberaba. Primeiramente a UNASBA – União das Associações e Sindicatos de Uberaba, criada na década de 1950. Depois a UDET – União para o Desenvolvimento do Triângulo, e mais recentemente, o G9, do qual participam Aciu, CDL, OAB, Cigra, Sinduscon, Fiemg, IEATM, Sindicato Rural e Sociedade de Medicina do Triângulo Mineiro.

 

Dos quadros da ACIU, três presidentes foram eleitos deputado federais: Fidélis Reis, João Guido e Hugo Rodrigues da Cunha. Os dois últimos também ocuparam a cadeira de prefeito de Uberaba. Como candidato a prefeito aparece também o presidente René Barsan, (1980/1981) nas eleições de 1982, em que Wagner do Nascimento foi eleito. Mesmo constando em seus estatutos de que a Aciu não participa de políticas partidárias, na gestão de Mário Pousa (1961/1962) não teve como evitar o apoio irrestrito à candidatura de Joaquim Roberto Leão Borges para a Assembleia Legislativa. O objetivo alcançado era ter um representante da entidade no governo de Minas Gerais. Leão Borges, deputado em 3 legislaturas (1963/1975) faleceu em 2004 em BH.

Paulo José Derenusson (1929/1932) conseguiu que a entidade aderisse à Aliança Liberal do presidente Antônio Carlos, ao lado Associação Comercial de Belo Horizonte, para as eleições de 1930.

 

Tarefa difícil expressar o retrato da atuação da Aciu, são muitas realizações, quase um século de história. Todavia, acreditamos que esta exposição possa transmitir o quanto de carinho que centenas de empresários, abrindo mão de seus afazeres, diminuindo o tempo junto com seus familiares, dotados de muito espírito cívico, se dispuseram a compor as diretorias da Entidade nestes últimos 95 anos, para o exercício do associativismo.

 

São heróis anônimos que merecem a nossa estima e consideração. O nosso reconhecimento pelo muito que fizeram e fazem pelo desenvolvimento de Uberaba.  

 

Por Gilberto de Andrade Rezendeassociado desde 1958, ex-presidente e conselheiro consultivo da Aciu, ex-presidente do Cigra e membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

 

Fonte: Fontes deste artigo: Aciu, Arquivo Público, José Mousinho e Guido Bilharinho.
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